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Mensagens

O chocalho português

O chocalho português é um instrumento de percussão idiofone com um badalo interno único, normalmente pendurado numa cinta de couro ao redor do pescoço de um animal. É utilizado tradicionalmente pelos pastores para localizar e controlar os seus rebanhos, criando uma sonoridade inconfundível nas zonas rurais. Os chocalhos são feitos manualmente em ferro, que é martelado a frio e dobrado na bigorna até ficar em forma de taça. Pequenos pedaços de cobre ou estanho são colocados à volta do ferro, que é depois envolto numa mistura de barro e palha. A peça é cozida e, em seguida, mergulhada em água gelada para uma rápida refrigeração. Por fim, a argila queimada é removida, o cobre ou estanho que recobre o ferro é polido e o tom do sino é afinado. O conhecimento técnico é transmitido no seio da família, de pais para filhos. Em Portugal, a localidade de Alcáçovas é o principal centro de fabrico de chocalhos e os seus habitantes orgulham-se deste património. No entanto, esta prática é cada ve...

O cante alentejano

O Cante Alentejano é um género de canto tradicional em duas partes, executado por grupos corais amadores no sul de Portugal e nas comunidades migrantes na Área Metropolitana de Lisboa. O repertório é constituído por melodias e poesia oral (modas), e é executado sem instrumentos musicais. Os grupos de Cante reúnem até trinta cantadores que se dividem em três papéis: o “ponto” inicia a moda, seguido pelo “alto”, duplica a melodia uma terceira ou uma décima acima, muitas vezes adicionando ornamentos. Todo o grupo coral se junta em seguida, cantando os versos restantes em terceiras paralelas. O alto é a voz orientadora, que se ouve acima do grupo em toda a música. Existe um vasto repertório de poesia tradicional, bem como versos contemporâneos. As letras exploram tanto os temas tradicionais como a vida rural, a natureza, o amor, a maternidade ou a religião, como as mudanças no contexto cultural e social. O Cante constitui um aspeto fundamental da vida social das comunidades alentejanas, ...

Açorda Alentejana

Ingredientes para 4 pessoas: • 4 ovos • 4 dentes de alho • 1 molho de coentros ou de poejos picados grosseiramente • 4 fatias de pão alentejano • 4 colheres de sopa de azeite • 1,5 l de água • Sal q.b. Preparação: 1. Num almofariz, esmague os alhos. Aos poucos, junte os coentros e esmague tudo muito bem. 2. Num tacho, leve ao lume a água. Tempere com sal e deixe ferver. 3. Parta os ovos e junte à água um a um. Deixe escalfar os ovos durante 3 minutos. Depois dos ovos escalfados, com a ajuda de uma escumadeira, retire-os para um prato. 4. À água de cozinhar os ovos, junte a mistura dos coentros com o alho e o azeite. Misture. 5. No fundo de cada prato de sopa, coloque uma fatia de pão e o ovo. Regue tudo com o caldo e sirva. Pode acompanhar com azeitonas. BOM APETITE

Catarina Eufémia

Catarina Efigénia Sabino Eufémia nasceu em Baleizão, no Alentejo, a 13 de Fevereiro de 1928. Era uma ceifeira pobre e quase analfabeta que, durante uma greve de catorze mulheres assalariadas rurais, a 19 de Maio de 1954, foi assassinada a tiro por um tenente da Guarda Nacional Republicana. Tinha 26 anos, três filhos, um dos quais de oito meses (ao seu colo quando foi baleada) e estava grávida de um quarto. A sua trágica história acabou por personificar a resistência ao regime salazarista, sendo adoptada pelo Partido Comunista Português como ícone da resistência no Alentejo. Dedicaram-lhe poemas autores como Sophia de Mello Breyner, Carlos Aboim Inglez, Eduardo Valente da Fonseca, Francisco Miguel Duarte, José Carlos Ary dos Santos ou Maria Luísa Vilão Palma.

Florbela Espanca

A Mulher Ó Mulher! Como és fraca e como és forte! Como sabes ser doce e desgraçada! Como sabes fingir quando em teu peito A tua alma se estorce amargurada! Quantas morrem saudosa duma imagem. Adorada que amaram doidamente! Quantas e quantas almas endoidecem Enquanto a boca rir alegremente! Quanta paixão e amor às vezes têm Sem nunca o confessarem a ninguém Doce alma de dor e sofrimento! Paixão que faria a felicidade. Dum rei; amor de sonho e de saudade, Que se esvai e que foge num lamento! Florbela Espanca