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Mensagens

A mostrar mensagens de maio, 2021

Caspacho alentejano

O gaspacho alentejano, também denominado de caspacho, é um prato consumido maioritariamente no verão, devido à sua frescura. Esta famosa sopa fria e agradavelmente aromática não é triturada (ao contrário da versão espanhola), caraterizando-se também, por isso, pelo seu aspeto colorido e textura. No Alto Alentejo, o gaspacho é geralmente apresentado com alguns acompanhamentos, como paio, chouriço, presunto ou toucinho, azeitonas e até peixe frito ou sardinhas assadas. Estes acompanhamentos enriquecem a sopa e transformam-na numa refeição completa. Ingredientes: . Orégãos desfeitos . pepino . pimento verde . azeite . vinagre . 2 dentes de alho . 1 cebola . 2 tomantes . pão (de véspera) . água fresca . sal e pimenta https://www.cozinhatradicional.com/gaspacho-alentejano/

Rafeiro alentejano

Grande, pesado e volumoso: o Rafeiro Alentejano é, sem dúvida, uma visão imponente. Como cão de pastoreio que é, ele protege o rebanho de forma autónoma e fiável. Por outro lado, é menos adequado como companheiro puro e cão da família. Personalidade À noite, o Rafeiro Alentejano está na sua melhor forma: nada escapa ao seu olhar atento, ao bom olfato e à excelente audição. Quem se atrever a entrar em seu território é colocado “em sentido” sem aviso prévio e, se necessário, é atacado. Os pastores que tenham um Rafeiro Alentejano, já não precisam de temer ladrões de gado ou animais furtivos. Ter um cão que protege o rebanho como cão de família, será que funciona? Pensar que um Rafeiro Alentejano pode ser um cão puramente amoroso, cuja única tarefa é acompanhar e proteger a família, é completamente desajustado. Embora ele seja fiel à sua família e sempre leal ao seu lado, a sua agudeza inata é difícil de controlar, mesmo com uma educação consistente. Afinal, o inteligente e firme Rafei...

A azinheira e o sobreiro

«Possue a nossa terra inúmeros bosques de azinheiras, sobreiros, castanheiros, carvalhos, pinheiros, alfarrobeiras, amendoeiras, aveleiras, nogueiras, oliveiras. A azinheira e o sobreiro predominam no Alentejo como região mais seca; a primeira prefere os terrenos cálcarios, os sobreiros os graníticos. Há também azinheiras no Algarve, na Beira-Baixa (C. Branco), e nos terrenos xistentos dos concelhos de Bragança, Mogadouro, Moncorvo e Macedo, como até certo ponto o provam as designações locativas Izeda (iliceta) e Ligares (arc. Iligares: de ilex*); a sobreira domina igualmente no Sul do Tejo, e nos distritos de Lisboa, Santarém e Castelo-Branco. A toponímia prova, porém, que as mesmas árvores aparecem noutros territórios, já formando matas, já disseminadas: há Azinhal na Guarda, Azinheira em Leiria; sobreda na Beira Marítima e na Alta, Sobredo e Sobrosa no Alto-Minho, Sobrido no Baixo-Minho, Sobreira no Baixo-Douro, Sobreiral em várias províncias. Propriamente, pelo menos no Alto-A...

A Dieta Mediterrânica

A Dieta Mediterrânica abrange um conjunto de competências, conhecimentos, rituais, símbolos e tradições relativos ao cultivo, colheita, pesca, criação de animais, conservação, processamento, confeção e, em especial, partilha e consumo dos alimentos. Comer juntos está na base da identidade cultural e da continuidade das comunidades em toda a bacia do Mediterrâneo. É um momento de troca social e comunicação, uma afirmação e renovação da identidade da família, do grupo ou da comunidade. A Dieta Mediterrânica enfatiza valores como a hospitalidade, a vizinhança, o diálogo intercultural e a criatividade, bem como um modo de vida pautado pelo respeito pela diversidade. Desempenha um papel vital em espaços culturais, festivais e celebrações, reunindo pessoas de todas as idades, condições e classes sociais. Abarca o artesanato e a produção de recipientes tradicionais de transporte, preservação e consumo de alimentos, incluindo pratos de cerâmica e copos. As mulheres desempenham um papel imp...

Os bonecos de Estremoz

A produção de Figurado em Barro de Estremoz envolve um processo de produção que dura vários dias: os elementos das figuras são montados antes de serem cozidos num forno elétrico, pintados pelo artesão e cobertos com um verniz incolor. As figuras em argila seguem temas específicos, sendo vestidas com a indumentária regional do Alentejo ou com as roupas da iconografia religiosa cristã. A produção de figuras de barro em Estremoz remonta ao século XVII, e as características estéticas muito distintivas das figuras tornam-nas imediatamente identificáveis. Esta arte encontra-se fortemente ligada à região do Alentejo, pelo que a grande maioria das figuras retrata elementos naturais, atividades e eventos locais, tradições e devoções populares. A viabilidade e o reconhecimento da arte são assegurados pelos artesãos através de seminários educativos não-formais e iniciativas pedagógicas, bem como pelo Centro UNESCO para a Valorização e Salvaguarda do Boneco de Estremoz. São organizadas feiras ...

O chocalho português

O chocalho português é um instrumento de percussão idiofone com um badalo interno único, normalmente pendurado numa cinta de couro ao redor do pescoço de um animal. É utilizado tradicionalmente pelos pastores para localizar e controlar os seus rebanhos, criando uma sonoridade inconfundível nas zonas rurais. Os chocalhos são feitos manualmente em ferro, que é martelado a frio e dobrado na bigorna até ficar em forma de taça. Pequenos pedaços de cobre ou estanho são colocados à volta do ferro, que é depois envolto numa mistura de barro e palha. A peça é cozida e, em seguida, mergulhada em água gelada para uma rápida refrigeração. Por fim, a argila queimada é removida, o cobre ou estanho que recobre o ferro é polido e o tom do sino é afinado. O conhecimento técnico é transmitido no seio da família, de pais para filhos. Em Portugal, a localidade de Alcáçovas é o principal centro de fabrico de chocalhos e os seus habitantes orgulham-se deste património. No entanto, esta prática é cada ve...

O cante alentejano

O Cante Alentejano é um género de canto tradicional em duas partes, executado por grupos corais amadores no sul de Portugal e nas comunidades migrantes na Área Metropolitana de Lisboa. O repertório é constituído por melodias e poesia oral (modas), e é executado sem instrumentos musicais. Os grupos de Cante reúnem até trinta cantadores que se dividem em três papéis: o “ponto” inicia a moda, seguido pelo “alto”, duplica a melodia uma terceira ou uma décima acima, muitas vezes adicionando ornamentos. Todo o grupo coral se junta em seguida, cantando os versos restantes em terceiras paralelas. O alto é a voz orientadora, que se ouve acima do grupo em toda a música. Existe um vasto repertório de poesia tradicional, bem como versos contemporâneos. As letras exploram tanto os temas tradicionais como a vida rural, a natureza, o amor, a maternidade ou a religião, como as mudanças no contexto cultural e social. O Cante constitui um aspeto fundamental da vida social das comunidades alentejanas, ...

Açorda Alentejana

Ingredientes para 4 pessoas: • 4 ovos • 4 dentes de alho • 1 molho de coentros ou de poejos picados grosseiramente • 4 fatias de pão alentejano • 4 colheres de sopa de azeite • 1,5 l de água • Sal q.b. Preparação: 1. Num almofariz, esmague os alhos. Aos poucos, junte os coentros e esmague tudo muito bem. 2. Num tacho, leve ao lume a água. Tempere com sal e deixe ferver. 3. Parta os ovos e junte à água um a um. Deixe escalfar os ovos durante 3 minutos. Depois dos ovos escalfados, com a ajuda de uma escumadeira, retire-os para um prato. 4. À água de cozinhar os ovos, junte a mistura dos coentros com o alho e o azeite. Misture. 5. No fundo de cada prato de sopa, coloque uma fatia de pão e o ovo. Regue tudo com o caldo e sirva. Pode acompanhar com azeitonas. BOM APETITE

Catarina Eufémia

Catarina Efigénia Sabino Eufémia nasceu em Baleizão, no Alentejo, a 13 de Fevereiro de 1928. Era uma ceifeira pobre e quase analfabeta que, durante uma greve de catorze mulheres assalariadas rurais, a 19 de Maio de 1954, foi assassinada a tiro por um tenente da Guarda Nacional Republicana. Tinha 26 anos, três filhos, um dos quais de oito meses (ao seu colo quando foi baleada) e estava grávida de um quarto. A sua trágica história acabou por personificar a resistência ao regime salazarista, sendo adoptada pelo Partido Comunista Português como ícone da resistência no Alentejo. Dedicaram-lhe poemas autores como Sophia de Mello Breyner, Carlos Aboim Inglez, Eduardo Valente da Fonseca, Francisco Miguel Duarte, José Carlos Ary dos Santos ou Maria Luísa Vilão Palma.

Florbela Espanca

A Mulher Ó Mulher! Como és fraca e como és forte! Como sabes ser doce e desgraçada! Como sabes fingir quando em teu peito A tua alma se estorce amargurada! Quantas morrem saudosa duma imagem. Adorada que amaram doidamente! Quantas e quantas almas endoidecem Enquanto a boca rir alegremente! Quanta paixão e amor às vezes têm Sem nunca o confessarem a ninguém Doce alma de dor e sofrimento! Paixão que faria a felicidade. Dum rei; amor de sonho e de saudade, Que se esvai e que foge num lamento! Florbela Espanca